É preciso ter lata....

quinta-feira, março 09, 2006

Fico parvo com algumas coisas que leio aqui...

Crescei e multiplicai-vos

quarta-feira, março 08, 2006

O comportamento humano é, um tema verdadeiramente apaixonante. E se a questão for de comportamento masculino vs feminino, aí tudo se torna muito mais interessante, permitindo concluir que, afinal, não é tão grande o espaço que nos separa dos nossos antepassados que viviam na caverna.

A leitura de um livro que aborda estas matérias chamou-me a atenção para o assunto. Mas antes de mais um esclarecimento devido: eu sei que é abichanado ler sobre estas coisas, quando se tem a Auto-sport ou a MensHealth nas bancas, mas confesso que estou a precisar de desenvolver a minha habilidade para as relações interpessoais (leia-se, relações com o sexo feminino), pelo que suponho que tal necessidade permite a desculpabilização da pretensa ilicitude com base na figura da “colisão de deveres”. Se não desculpar, que se lixe, devem ser os meus níveis de testosterona que estão em baixo, nada, espero, que uma visita ao zoo não resolva.

Mas deixando os desvarios hormonais de lado e voltando ao tema que me ocupa, o que li no invocado livro mudará, para sempre, a forma como vejo o mundo.

Em primeiro lugar e relativamente ao homem, tem a ver com outro tema já abordado neste espaço e, por sinal, com grande maestria: a bricolage. Relativamente a esta matéria diziam os conceituados autores do citado estudo científico que todo o homem que se preze tem, dentro de si, um canalizador, um electricista, um trolha (e aqui permito-me abrir um parênteses para confirmar o facto e confessar que já dei por mim, numa loja da especialidade, a comprar uma talocha e uma colher de pedreiro) e até profissões para as quais se exigem mais qualificações como seja a de engenheiro electrotécnico. É, aliás, este imperativo genético, que justifica que tentemos abrir o ecrã plasma para solucionar aquele risco que teima em aparecer quanto nos deleitamos com a transmissão em directo, na Eurosport, do campeonato mundial de snoocker, sendo que, quando o voltamos a fechar, nem campeonato, nem snoocker nem coisa nenhuma, só negro...
É o mesmo gene que justifica que, nestas situações, nos dirijamos à loja, chateados, afirmando que aquilo só pode ser defeito do aparelho, que ainda está na garantia, o que, com um pouco de sorte, nos permite poupar cerca de €.2000,00, dispendidos num dia de loucura, pelo dito objecto.

E isto tudo, note-se, porque em tempo idos, a mulher ficava com o rabo na caverna, sabe-se lá a fazer o quê, enquanto o gajo tinha de andar no meio de dinossauros carnívoros a arranjar papinha para a menina e para os filhotes, a maior parte deles não desejados e fruto, apenas, de um dia de loucura. Dada esta necessidade de sobrevivência ficou no sangue dos machos, esta mania do faz tudo, sem ajuda. O problema é que nessa altura, que se saiba, ainda não havia ecrãs plasma... .

Mas se esta vertente do homem já era conhecida, relativamente à mulher confesso que se abriu para mim um inteiro mundo novo.

Pois bem aqui vai: dizia o livro e suponho que com conhecimento de causa, já que um dos autores é uma fêmea dada ao estudo da psicologia, que está cientificamente provado que, o que a mulher procura num homem não é a beleza, não é a compreensão, não é a ternura, nem sequer que o gajo baixe a tampa da sanita. O que bendito ser busca incessantemente é, pura e simplesmente, um macho com quem possa procriar e que lhe dê a estabilidade necessária até que a ninhada siga a sua vida.

Significa isto que tudo o que o homem sabia acerca da psicologia da mulher, se já não era muito e assente em bases muito pouco sólidas, desmoronou-se agora totalmente, que nem a defesa de um qualquer clube pequeno, do género SLB.

Afinal as senhoras não querem alguém com fortuna, carro topo de gama, corpo atlético e, de preferência, meio estúpido, para não as chatear muito. O que elas querem, imagine-se, é um macho para assegurar a prole.
E vão os ilustres autores mais longe afirmando que, afinal, o dinheiro não é, para elas, um fim em si mesmo mas tão só um meio que permite atingir um objectivo: a estabilidade no crescimento das crias. Em acréscimo, diz a mesma fonte, quando a fêmea elogia ou é atraída por um qualquer corpo atlético, tal não se deve a um qualquer conceito de beleza em si, mas tão só porque um corpo assim trabalhado transparece saúde, o que significa que dá mais garantias de uma ninhada saudável.

Afinal a coisa não é tão fútil como pensávamos. É mais profunda e, ainda por cima, elas não têm a culpa porque lhes está no ADN.

Confesso que este estudo me deixa, como macho, mais descansado. Não há que se preocupar com a barriga a crescer, com a alopecia de último grau, ou sequer, em trocar de peúgas todos os dias, porque isso não é importante. O importante é procriar e, por consequência, sustentar a ninhada.
Satisfeito este objectivo, o homem cumpre a missão que o trouxe ao mundo podendo, sem peso na consciência, repousar os seus volumosos abdominais no sofá, de cerveja na mão, saboreando a glória de uma ninhada bem criada.

AKI há gato!

Há não muito tempo, no decurso de um repasto de confraternização, descobri acidentalmente uma faceta absolutamente desconhecida de um amigo... a sua paixão pela bricolage! Todo o Homem (digno da expressão), tem no seu íntimo, uma incessante ânsia e avidez pela capacidade de edificar, de transformar, de criar... A simples actividade de conseguir programar um vídeo para gravar no canal e hora escolhidos (apenas ao alcance de alguns eleitos); acertar o relógio do micro-ondas; ou até ser capaz de montar uma mesa do IKEA sem sequer olhar para as instruções (o meu sueco nunca foi grande coisa mesmo...), é algo apenas comparável à alegria que o homem primitivo deve ter sentido após dominar o fogo com bravura!

Mas voltando ao jantar... quando me apercebi, estava sentado no enclave de uma verdadeira convenção de trolhas! Aquilo é malta com grandes planos! Discutiam-se os planos de reconstrução do Templo do Salomão (deve ser algum templo da Iurd embargado ou o novo Shopping Sonae) e até já tinham um “g’ande Arquitecto” para projectar a obra! Abençoado jantar! É que o meu habitáculo estava em fase de remodelação profunda, e a possibilidade de encontrar alguém de confiança para reparar a fuga de gás que tinha na cozinha, era tentadora demais para conseguir resistir! (nunca é uma questão de competência, apenas de confiança!)

Estudei a mesa percorrendo todos os rostos em busca de um sinal de mestria e clarividência, e optei por interpelar o jovem sentado ao meu lado. Tudo pensado! Iria tratá-lo por “chefe” (sinal de reverência entre a malta da obra), e metia conversa gabando-me do conjunto de chaves sextavada que tinha adquirido no AKI na semana anterior!

Mas inesperadamente... TODOS SE LEVANTAM! Fazem uma saudação imperceptível e começam a vestir um avental! Timidamente... e sem perceber muito bem porquê... estou igualmente de pé... e dou por mim a prender o guardanapo à presilha do cinto... estava completamente fora de jogo... mas foi nesse exacto momento que percebi qual era o motivo daquela reunião! MARISCO! Só pode! Aquilo é malta que deve gostar de dar umas valentes marteladas nos crustáceos, mas naturalmente, ninguém gosta de nódoas!

Desolado... desisti da ideia de arranjar empreiteiro e conformei-me com o meu péssimo sentido de oportunidade... aquilo não é malta de sujar as mãos... e a obra... deve ser feita em outsourcing... modernices!

O Dia da Defesa Nacional

sexta-feira, março 03, 2006

Sou um gajo dado a pesadelos, confesso. Não raras vezes, acordo com suores frios, quentes, e até mornos, sonhando com o Ascensão a perguntar-me, directamente, o que é um acto de comércio; com o Januário a excursar, longamente, (muitas vezes a noite toda) sobre o conceito de baldio e de expropriação, e até com a Fernanda a falar do Kant (Deus guarde a sua alma). A experiência mais próxima de um sonho molhado que alguma vez tive, foi com o Miranda, a discursar, a dois palmos da minha cara sobre a Constituição do Uganda.

Já pensei em recorrer a ajuda mas temo que não tenha remédio. São feridas de guerra, maleitas semelhantes às que aparecem “quando o tempo muda” e com as quais, mais tarde ou mais cedo, se aprende a viver e eu acho que já aprendi.

Sou um gajo dado a pesadelos, dizia, mas nunca imaginei que pudesse sofrer um como o que veio pela caixa do correio esta semana e, pior que tudo, era real.

Recebi uma carta, mas logo que olhei para o remetente confesso que o coração acelerou e não foi da arritmia que teima em não me largar. Era do Ministério da Defesa Nacional. Admito que o primeiro pensamento que tive foi: vou ser condecorado pelo Sampaio! Mas depois pensei melhor. O que é que eu fiz para merecer uma condecoração? Nada. Mas os outros também não fizerem nada, por isso, a esperança manteve-se. Teria sido da árvore que plantei na primária? Mas se bem me lembro secou, quando se tornou moda os canídeos (incluindo os de duas patas) irem lá mijar.

Naahhh, isto deve ser outra coisa, pensei…e era. “Convocamos V.Exa. para o dia da Defesa Nacional….”. Merda, pensei, e eu que julgava estar livre disto. Resumindo: adiei tudo o que tinha a ver com a tropa e quando acabei de estudar esqueci-me deles, provavelmente esperando que também eles me tivessem esquecido, mas não. Com tantos gajos, não podiam esquecer-se de mim…!!

Significa isto que., num dos próximos meses vou ter de ir, com mais uma centena de mancebos (e eu a pensar que já estava mais perto da reforma do que da mancebia quando se recusaram a renovar-me o cartão jovem), a uma base naval qualquer a ouvir falar das virtudes do exército e, imagine-se o bónus, se quiser alistar-me eles recebem-me de braços abertos e até me oferecem um bolo no aniversário. Quero mas é que eles se danem!

Liguei imediatamente para lá, tinha de me livrar daquilo e, além do mais, a minha sensibilidade dizia-me que aquela convocação era mais inconstitucional que uma lei fiscal retroactiva.

Atendeu aquilo que me pareceu ser um espécimen feminino cujo nome já não recordo. Tentei tudo, confesso, “sou imigrante”, “sou cantor pimba”, “tenho os pés chatos” mas nada resultou. Até perguntei se podia objectar de consciência. “Mas não vai à tropa, vai só ver como é que aquilo” dizia a manceba aturdida com a minha insistência. Mas eu sou contra tudo o que tem a ver com tropa, retorqui. Em desespero de casa lancei um “SOU DO BLOCO DE ESQUERDA não tá a ver??”. Mas nada, a soldada (suponho que seja soldada porque os oficiais não devem atender telefonemas dos mancebos) insistiu: “tem de ir e tem de ir e se não for tem penalidades”… e blá blá blá. Aquela mulher é uma verdadeira arma de guerra, uma máquina de matar, não demonstrou um pingo de sentimento – deve ter treino de operações especiais ou comandos, pensei.

Mas não desisti: “olhe, e se por acaso eu estiver doente nesse dia e com atestado e tudo?”. Fez-se silencio, a soldada hesitou um instante, pensou e - “pois, se for assim, não tem de vir, mas depois chamamo-lo outra vez!!!”

Mau…, lembrarem-se de mim uma vez até pode ser um elogio, mas duas vezes é gozo, e como não sou gajo de adiar o inevitável, avancei mais a sério. “Olhe Sra. soldada, e como é que me livro disso de uma vez por todas???” Confesso que estava disposto ao suborno, não pelo montante que oferecerem ao Sá, mas uns maços de tabaco de contrabando que um amigo me arranja.

Resposta da Sra.: “tem uma cunha?” Óbvio, como é que não me lembrei disto antes?

É pois este o motivo destas linhas, preciso de uma “cunha” para me livrar do dia do não sei quantos, em que estou convocado para ver uns barcos velhos e cheios de ferrugem e, sinceramente, não quero ir.

Já tenho pesadelos suficientes, não quero que a próxima personagem dos meus sonhos seja o Paulinho, vestido de marinheiro montado numa traineira cor-de-rosa a acenar-me…. até me arrepio só de pensar!!! A isto jamais sobreviveria.

Se não houver nenhuma “cunha”, deixem, pelo menos, uma ideia quanto à inconstitucionalidade da convocatória porque, em desespero de causa estou decidido a avançar para o Provedor de Justiça e o único argumento que me lembro é o da retroactividade prejudicial ao contribuinte, mas que aqui é capaz de não ser suficiente.

Do fundo do coração, e desde já, o meu mais sincero obrigado.

O Triunfo dos Porcos

quinta-feira, março 02, 2006

Quem ainda não leu esta magnífica obra literária, cujo título original é Animal Farm, brilhantemente redigida por George Orwell (que também escreveu 1984, obra igualmente fascinante), deverá ser atado a um pinheiro de uma qualquer (já escassa) manta florestal portuguesa e apenas ser retirado após o Verão, o que diminuirá, em consequência, consideravelmente as hipóteses de sobrevivência....isto, partindo do pressuposto que o proprietário da floresta não seja nenhum indivíduo que se balde ao fisco e não tenha rendimentos, mas conduza um pópó da Baviera Motor Wagen....vulgo BMW!
Por caso tal aconteça, podem ter a certeza que nem o Inferno de Dante consumiria tal floresta.....passaria ao lado, até, quem sabe, por cima....mas não queimava nem um ninho de qualquer passaroco abandonado (se bem que para eliminar a Gripe das Aves, os alimentos devem ser cozinhados acima dos 70º celsius..)...
Mas isto tudo porquê???
Porque neste país, todos os porcos triunfam, senão vejamos:
  • Algum de vós sabe indicar algum caso/processo judicial em que tenha sido condenado alguém considerado relevante na sociedade???
  • Alguém sabe indicar um clube de futebol que não esteja falido?? Mas nunca chegaram a pagar os impostos....enquanto que o tuga é mais perseguido pelos gajos dos Impostos do que o Brad Pitt pelas mulheres.....
  • Alguém pode, por obséquio, indicar-me um Advogado que tenha fama de honesto??
  • Alguém consegue, em qualquer serviço público em Portugal ser bem atendido e não ter que pagar nada pela"porta do cavalo"?? Sem cunhas???
  • Alguém me poderá indicar o indivíduo(a) que num "honesto" concurso público seja colocado por mérito??
  • Alguém neste país fez fortuna honestamente?? A trabalhar???..... Não brinquem comigo...

Não há verdade mais latente do que a expressa no livro, cujo título me inspirei para esta redacção.... Todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais que outros...
Todas as "estórias" têm um fim....mas enquanto esta não finda...questiono.... será que vale a pena ser um porco??.....é que às vezes parece....

Contingências da vida

Há coisas que passeiam pelo nosso subconsciente, e por vezes, quando reencontramos expressões familiares, temos aquela sensação “déjà vu”... Recentemente esbarrei na comummente utilizada terminologia “Contingente especial”! Este “genre”, aplica-se aos mais variados sectores, mas por ora, vamos cingir-nos ao caso do acesso ao ensino superior em Portugal. De facto, está legalmente consagrada a existência de contingente dito especial para: candidatos oriundos dos Açores e da Madeira; emigrantes portugueses e familiares que com eles residam(até pode ser o gato da família); militares e portadores de deficiência física ou sensorial.
Acrescem ainda, as vagas e benesses dos próprios estabelecimentos de ensino superior destinadas aos Palops, pilotos de F-16 da Força Aérea, presidentes de Junta, atletas de alta competição, dirigentes associativos, exímios jogadores de matrecos e sueca (conhecimento de causa), entre outros...
Assim sendo, pode concluir-se o seguinte: existe uma verdadeira “Lei Bosman” no ensino português, e está legal e cientificamente comprovada a existência de um nexo de causalidade entre, o Q.I. de um indivíduo, e o seu local de nascença!

Mas afinal, quem “caiu” no Contingente geral??? (é aqui que entra o sério trabalho de investigação jornalística). Por motivos de decoro e confidencialidade, optou-se por não revelar os nomes dos 3 visados, a saber:
- A filha da D. Lurdes do 3º esq. - Motivo de exclusão do Contigente especial: erro no preenchimento dos impressos de candidatura... escreveu “portuguesa” no campo de preenchimento relativo à “Naturalidade” (erro clássico);
- Jovem de 34 anos, oriundo do Uzbequistão, cujo processo de descoberta da sua linhagem de ascendência minhota, continua inexplicavelmente, pendente de confirmação;
- Um promissor jovem artista, penúltimo classificado no festival regional de canto coral de Torres Vedras - Motivo de exclusão do Contigente especial: acusou a presença de nandrolona num exame surpresa.

Sejamos pragmáticos, em rigor, as únicas ideias dignas de realce que a Humanidade teve nas últimas décadas, resumem-se à invenção da direcção assistida e do auto-rádio com leitor de mp3... e mesmo aqui, o mérito deve ir direitinho para um qualquer incógnito asiático! O conceito de justiça distributiva, é uma utopia subvertida! O nosso legislador positiva a igualdade de forma incansável, mas persiste em ignorar a capacidade e engenho do Tuga, que apenas peca por ter excesso de imaginação!

Em jeito de conclusão, proponho que nos deixemos de eufemismos! E em substituição da expressão “Contingente especial”, porque não chamar “Gente especial”?!